a Ternura não é tenra

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terça-feira, novembro 22, 2005

A semana, o trabalho e a ternura

Uma pessoa comum começa a entardecer no domingo já triste com a segunda que está cada vez mais perto. Imagina trabalhar e estudar. A segunda é um dos dias que mais se necessita de ternura para sobrevivência. Por isso, venho através deste fazer uma campanha pela ternura na semana.

Todos têm técnicas, graça a psicológos e Shiniashiki's da vida, mas a maioria não funciona sem ternura. Ouça "Marvo Ging" do último CD dos Chemical Brothers (que eu chamo carinhosamante, e com ternura pura, de Chemicalius Brotherius - toda vez que falo esse nome que inventei eu me arrepio... coisa estranha) e sinta a ternura no ar. Cada acorde, cada batida dá esperança. Não é música com barulho de cachoeira que te trará um dia feliz ou um relaxamento de décimo quinto grau.

Não serão brincadeiras de roda, aquelas que servem para uma maior interação do grupo, com outras pessoas desconhecidas que te fará um ser mais social, tanto é que na maioria das vezes são dessas ocasiões que aparecem as maiores fofocas.

Para quem trabalha, na semana falta uma coisa: sentimento. E isso não é um papo gay, pois se todo mundo tivesse 22,3% de sentimentalismo que 91,4% dos homosexuais e 99,87% das mulheres (tirei dessa conta das mulheres as vilãs, as malditas e as corruptíveis de baixo calão) que nos rodeiam seríamos bem melhores. Nem contei a totalidade, pois seria covardia.

Trabalhar é ótimo. Toda aquela pressão, toda aquela vontade do empregado de fazer por merecer e trazer dinheiro para uma instituição que, convenhamos, no mínimo parece com o casamento: está falida. No fim, movemos o país sem ver, uma vez que, ao chegar as oito e sair às dezoito, estamos gerando renda, lucro e impostos para alguém descansar - meus amigos riem quando eu falo que eu movo o Brasil ao trabalhar: experimenta todo mundo parar de trabalhar por 30 minutos. Mas parar mesmo, mas não sem razão. Obviamente, tenho uma razão para essa greve diária: toda vez que sentirmos que não há mais ternura, temos que parar para protestar e algo acontecer. 30 minutos. Imagine: o padeiro não vai fazer mais pão, o guarda não vai mais vigiar o banco e o ladrão não vai mais roubar e por aí vai. Mas só 30 minutos, mais do que isso íamos voltar para épocas antigas que trabalhávamos por prazer e por subsistência. Andávamos nus ou com pouca roupa, caçávamos nas matas e éramos puros. Para que acumular riqueza se o céu é open bar e totalmente 0800. Não deveríamos procurar realizações materiais durante a semana, mas sim as espirituais e transcendentais. Devíamos emergir da grande merda de onde estamos e partir para uma nova realidade menos complexa. Deixemos a complexidade para a natureza e para Deus. Mas como isso?

Pare por 3,9 segundos e olhe para alguém. Nesse meio tempo imagine: como passo trazer ternura para esse ser tão lindo como eu?

Don

p.s.: estou sendo tão puro que não vou nem reler o texto. Deixei meu coração de melão falar.

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